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GRAPHIC, LÉSBICAS & EXIBICIONISMO

 

 Ontem eu fui ao CCSP assistir o Graphic. Gostei! Me fez lembrar Paul Auster, acho que por causa do Blue in the Face (Sem Fôlego), aquele filme feito com o material excedente do Cortina de Fumaça. Talvez essa semelhança se deva a trilha sonora, Talking Heads do começo ao fim (Mário Bortolotto vai sofrer hoje). Então, mais tarde, conversando com o Paulo, autor & diretor da peça, ele me disse que o espetáculo foi baseado em um filme, que não me lembro agora, dos Irmãos Coen, mas acabou concordando com a minha opinião também. Sobre o texto eu não vou comentar nada, você tem que assistir, mas o cenário... Cara, uma caixa giratória no meio do palco. Num lado dessa caixa está a lojinha de um chinês, do outro a casa do protagonista, nos outros dois muros para pixações e em cima a casa de uma garota. Os atores vão girando a caixa conforme as cenas. Demais!

 Valeu a pena a chuva que peguei pra chegar lá. Isso sem falar no teatro. A sala Jardel Filho é muito confortável, tem uma puta acústica e uma visão fenomenal do palco. Enfim, o Garoto-Enxaqueca aqui curtiu. Quero dizer, curti até onde eu consegui prestar atenção no espetáculo, porque, com a peça já rolando, me entra no teatro uma dúzia de lésbicas teenagers, resquício do público da banda Luxúria que ficou 'moscando' por ali após o show.

 Agora o melhor da noite, adivinhem atrás de quem elas se sentaram? Sim, senhoras & senhores, deste sortudo aqui. Cara! Parecia que eu tava numa matiné da Outs e não num teatro. Aquelas garotas não tinham a mínima noção de nada, elas ficavam rindo, falando alto e se lambendo o tempo todo. "Shlep, shlep, shlep", essa onomatopéia persistia tanto no meu ouvido que eu não aguentei, virei pra trás e... honestamente, gostei do que eu vi. Devo admitir, foi um bela visão. Mas não era pra ser alí, pô! Eu pedi silêncio educadamente & a toa, aliás, todo mundo virando o pescoço e fazendo "ssshhh" e elas nem aí, tocando o puteiro. Teve uma mulher, coitada, estava quase chorando: " Por favor, façam silêncio, vocês estam estragando o espetáculo". E nada!

 Acabou o espetáculo e eu subi em direção a técnica pra cumprimentar meu amigo Rodrigo que estava operando a luz. Foi aí que elas, passando por mim, eu solto: "Aí! Na boa, vão tomar no meio dos seus cús! Vá lamber o grelo da sua mina na sua casa, falô?". Começou a esteria! "Isso é homofobia, eu vou chamar a polícia & blah, blah, blah...". Rolou o maior bate-bôca. Me arrependi. Eu deveria ter ficado quieto, porque qualquer coisa que se diga a um ser daqueles é fútil dizer e a gente sabe disso.

 Agora, homofóbico? Eu? Quantos brothers gays eu tenho? Uma porrada! E eu trato todos sem distinção. Só que esses meus amigos, sejam gays homens ou mulheres, não faltam com o repeito. Talvez até porque queiram ser respeitados, enquanto elas não. Elas estupraram o teatro! Houve ainda num momento da discussão que uma delas gritou: "Cê qué sabê? A gente cata muito mais mulé do que você".

 Claro que elas catam mais mulheres. Elas precisam disso, são exibicionistas! Se elas fossem homosexuais de verdade estariam trepando com as suas garotas e, provavelmente, entre quatro paredes. Mas não! Elas têm que desfilar por aí se esfregando umas nas outras, só porque acham que assim estam subvertendo. Eu conheço o tipo. Houve uma época em que bandas como a Luxúria tocavam aqui no Juke Joint e traziam toda sorte de gente.

 É lamentável! São garotas muito bonitas e não passaram dos seus 16 ou 17 anos. Não acredito que elas tenham essa afirmação sexual, talvez uma ou outra sim, mas a grande maioria, como eu disse, escolheu isso apenas como uma forma de subverter. Nao carecem de orientação sexual, só de atenção. Triste saber que uma garota dessas um dia vai sentir (se já não sente) tesão por um cara e que, talvez, por não ter tirado conhecimento da melhor fase da vida, escolha o cara errado e acabe dormindo com um gordo roncando e peidando ao seu lado pelo resto da vida. Eu não devia ter dito nada mesmo. O silêncio sabe, é triste!

 



 Escrito por Flávio Vajman às 14h56
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 Show da Fábrica de Animais

 

Fernanda D'Umbra sobre o Juke Joint:

  Talvez o Juke Joint acabe junto com o Planeta Terra, porque nas mãos de Mr. Vajman está cada dia mais difícil.

 Vejam a melhor piada sobre o fim do Juke Joint, de autoria de Nelson Peres:

 Ah, Fê, sábado tem show de despedida do Juke? Então eu vou porque eu não perco as despedidas do Juke. Estive nas de 99 e 2000. Em 2001 nasceu meu filho Francisco, então não pude ir, fui em 2002, 2003, em 2004 não fui porque nasceu minha filha Tarsila, mas de 2005 pra cá tenho acompanhado todas.

 Tudo isso pra dizer que amanhã, sábado 12 de Janeiro, a banda Fábrica de Animais se apresenta com sua formação completa no palco da casa mais eterna de São Paulo.

 É a última vez? Talvez.

 Só não vou garantir porque nem minha mãe acredita mais em mim.

 Mas vale ir ao show pra ver a versão fúnebre que a gente fez para Wang Dang Doodle.

 A propósito: o Juke eu não sei, mas o atual repertório da Fábrica vai pro saco, então pra quem gosta essa é a última chance.

 Depois do show, rola a tradicional jam session do Juke, onde podemos ver, por exemplo, Marcelo Watanabe comandando o auditório de blues mais animado do Brasil. 

 Tenham todos uma ótima sexta-feira e não bebam tudo hoje.

 Espero por vocês amanhã, no velório do morto mais vivo de São Paulo.

 

 SHOW DA BANDA FÁBRICA DE ANIMAIS

 SÁBADO - 23h

 NO JUKE JOINT - Rua Frei Caneca, 304

 R$ 5,00 (baratinho)

 NA FÁBRICA DE ANIMAIS: Flávio Vajman toca gaita, guitarra e acordeon / Sérgio Arara toca guitarra / Cristiano Miranda toca bateria / Leonardo Costa toca contra-baixo / Fernanda D´Umbra canta.



 Escrito por Flávio Vajman às 16h20
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SÉRGIO ARARA & FÁBIO BRUM

EMPUNHANDO A MINHA SG!

 Reparem nos detalhes da ponte bigsby nas fotos tiradas pelo brother Lepbvre.

 Em 1990 a minha mãe me deu uma nota de US $ 100,00 pra eu comprar uma guitarra. Com essa única nota eu fui à rua Teodoro Sampaio e acabei, por sorte, caindo na já extinta Pai do Rock, uma puta loja de novos e usados. Seu dono era o Mello e tornou-se meu brother. Eu fiquei indeciso entre essa e uma outra guitarra, sendo a segunda (concordaria em breve com isso) muito tosca. "Cê tá louco? Leva a SG, mané!" disse o Mello, que momentos depois depositava minha nota no seu caixa e improvisava um pacote de papelão pra eu poder levar o instrumento com segurança no 'buzão'. Hoje essa guitarra é muito cobiçada, todo mundo me pergunta quanto eu quero nela.

 Quando minha mãe me deu aquela nota ela estava desempregada, os 100 dólares foram um presente do seu ex-patrão como um adicional para qualquer dificuldade que pudesse surgir, e ela simplesmente deu-os para mim. O Mello foi um vendedor honesto e me ofereceu a SG fabricada pela Gianinni no ano de 76 enquanto poderia me empurrar a outra. Isso faz dela mais que uma guitarra pra mim. Não tem preço!

 Hoje em dia minha mãe nem olha mais na minha cara. Ela prefere acreditar na sua igreja, a 'Deus é Cruel', e realmente acha que eu ando possuído pelo demônio atualmente. Mas confiava em mim naquela época. Éramos bons amigos, havia uma tremenda cumplicidade. Sempre que eu pego na minha SG eu me lembro da minha mãe... eu me lembro de quando a igreja ainda não havia tirado ela de mim. Deus te abençoe, mamãe!!!

 



 Escrito por Flávio Vajman às 19h19
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Eis um cara que muito me agrada em tudo que ele escreve.

 

AURÉOLAS EM LATAS DE BISCOITO

 Comprar jornal na esquina e na volta conferir a caixa postal telefônica. Morder o ponto do dente onde já se sabe que a dor dói com exatidão. Guardar dinheiro antigo na carteira. Olhar as lombadas dos livros numa estante desconhecida à espera de alguém. Errar as medidas do café fora de casa. Estar perto de perceber alguma coisa. Encantar-se com parques de diversão desativados. Pisar de meia no quintal molhado pela chuva de ontem.

 by Marcelo Montenegro

 



 Escrito por Flávio Vajman às 14h32
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VELANDO O JUKE JOINT

Bom! Já que a Fernanda achou esse e-mail educado, surpreendente até pra mim, também vou reproduzi-lo aqui:

 

Jam Session no Juke Joint


 Antes de tudo, me desculpem pela nota em cima da hora, mas essa jam também foi bolada agora. Torço para que vocês verifiquem suas caixas de e-mail diariamente e que não percam essa última oportunidade de irem ao Juke Joint.


 Como todos sabem o Juke está encerrando suas atividades (embora minha irmã afirme que essa estória esteja muito parecida com a separação da dupla Sandy & Junior) e para ajudar nas despesas da desmontagem da casa elaboramos uma jam session de blues & rock'n'roll.


 Já estão confirmados o guitarrista Marcelo Watanabe, o dramaturgo e vocalista da banda Saco de Ratos Mário Bortolotto, e da mesma banda o baixista Fábio Pagotto, a atriz e cantora da banda Fábrica de Animais Fernanda Dúmbra e esse humilde gaitista que vos escreve, Flávio Vajman. Muitas outras participações deverão ainda confirmar até lá a presença.

Domingo, dia 06 de janeiro, à partir das 21 horas. O ingresso custa R$ 5,00, salvo para os músicos que participam da jam.


 Juke Joint

 Rua Frei Caneca, 304

 Conto com vocês. Um forte abraço,

 Flávio Vajman

 



 Escrito por Flávio Vajman às 14h17
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