POR APENAS R$ 3,00
(Montenegro operando Luz & som para o Cemitério de Automóveis)
Nesta 6ª feira o poeta Marcelo Montenegro faz o projeto Contaminação e, como os nossos amigos são durangos, o Juke Joint entra no esquema ‘Casas Bahia’ em sua bilheteria: R$ 3,00. O maestro Marcello Amalfi, o multi-homem Marcelo Schevano e vosso humilde narrador, formamos um time pra acompanhar o Montenegro em um show de poesia musicada. Esse mesmo time faz amanhã no Juke, porém, o Schevano provavelmente não participará, ele tem outros trabalhos. O dramaturgo Mário Bortolotto (essencialmente blues), o poeta Sam Sérgio Mello Shepard e o guitarrista Fabio Brum (Bêbados Habilidosos) também confirmaram suas presenças. Talvez até o Ademir Assunção, o Pinduca, apareça por lá e leia alguma coisa.
E hoje, a partir das 23:30, o Fabio Brum manda ver com a sua nova banda. Ingresso R$ 5,00
A velha história:
Rua Frei Caneca, 304
Consolação
(11) 3120 1229
Hoje
Fabio Brum & Banda
A partir das 23:30 horas
Sexta-feira, dia 28 de outubro
Marcelo Montenegro & Convidados
A partir das 22:30 horas
Aliás, aquele grupo de estudo na gaita foi transferido pra próxima 5ª feira.
Escrito por Flávio Vajman às 13h48
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ESPANTALHO DESCARADO
(Marcelo Montenegro)
ando assim
tipo um erro flácido ambulante
sem êxito, hesitante
disco riscado
fora de catálogo
no pó do instante
ando assim oco, uma crosta
vodu cansado que com a sorte
nem mais dialoga - diamante
ando assim sem linguagem
sem faro, espantalho fora de foco
ando assim
mais opaco que olímpico
esquivo, íntimo, insípido
um mastodonte pensando
desamparado
aspirando a paralelepípedo
ando assim meio buster keaton
um tanto de lágrima hasteando o riso
ando assim raso
indiferente
me divertindo um bocado
eu ando mijando no poste
porque o banheiro
está sempre lotado
Escrito por Flávio Vajman às 13h08
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QUEM SE IMPORTA?
Eu até pensei em responder todos esses comentários, mas desencanei. Foda-se! Ninguém vai entender nada mesmo. Acho engraçado condenar e não admitir ser condenado, toda essa certeza errônea de que está certo, mas é perdoável, entendo que esse muro que lhes prende é o mesmo que lhes protege. A recusa às origens é pertinente a quase todos em qualquer manifestação artística porque é difícil conviver com a realidade, nos negamos à profundidade que nos liga a ela e nos transformamos superficiais pelo alívio de não sentirmos mais dor. Também sou um instrumentista e não ataco quem se considera tal, mesmo que busque apenas o virtuosismo, alma pra quê? Mas não venha me falar de blues se você não se banha na lama. Não se deve mascarar o cheiro ruim de um remédio que funciona, não se cospe no prato em que se come, só isso! Nada trancafia o que tem alma marginal. Tô de saco cheio de opiniões elitistas, não suporto coisas bonitinhas e o luxo tem me deprimido demais. Blasfêmia não é subtrair algo qualquer de nossos ídolos, por mais pertinente que seja, é agora então assumi-los sem máscaras? Então vá passear por São Paulo, contemplar essas vaquinhas espalhadas por aí, leia um livro da Agatha Christie ou do Sidney Sheldon, compre um par de ingressos e leve sua mina pra assistir os Filhos de Francisco. Eu não posso lhe acompanhar, salvar a minha integridade significa expor a mesma. Se você não entende isso eu te entendo, porque dói demais. Mas não venha me falar de blues!!!
Escrito por Flávio Vajman às 12h09
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OLD SCHOOL

Talvez eu seja só mais um garotinho de pele clara empilhando caixotes de madeira pra poder espiar algumas espeluncas por entre suas vidraças embaçadas desse mesmo bafo que vocês recusam & condenam & nem ao menos entendem, apenas assistem em filminhos clássicos o retrato daquilo que almejam e que ao mesmo tempo temem não suportar o odor e da mesma forma os vejo aí, lambendo os beiços & admirando as ilustrações da capa de um disco de um ídolo qualquer enquanto o segura em suas mãos livres de pecados. Mas eu me vejo lá dentro derramando minha cerveja & minhas lágrimas no balcão, só porque aquela mulher me sacaneou e ouço meus gritos no palco, porque os espinhos do algodão fazem arder minhas mãos, eu apenas confraternizo com os fodidos & mal-pagos que não abrem mão de suas legitimidades e não criam ilusão sobre a desgraça que faz nascer música, então tenho a propriedade que não lhes cabe, eu posso falar, porque o blues é branco pra ser escrito em negro e não o contrário disso. Você não entendeu? Desliga seu computador e cai na estrada!
Fui ver meu blog apenas hoje, nossa! Cutuquei umas feridas.
Escrito por Flávio Vajman às 19h10
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