Crianças não cuidam de bares

Aquele que se dirigir ao Juke Joint hoje e der com a cara na porta fechada, por favor, me perdoe. Fabiana Vajman & Gustavo Engracia estão com a Boa Alma de Setsuan em cartaz e eu me dispus a ficar com o Pedrão aqui na minha saudosa Leopoldina cuidando do moleque. Não! Na verdade ele é bem mais responsável que o tio e é ele quem parece cuidar de mim, está sempre me chamando atenção: “Tio Flávio, não faça isso & não faça aquilo & que coisa feia & etc...”.
Ele mora no endereço da minha pré-adolescência e o dia de hoje em sua companhia me transbordou de saudosismo. Ficamos jogando bola até não conseguirmos mais vê-la, a noite já entrava e ficou muito escuro pra continuar.
O jogo foi muito divertido. Eu usava coturno e por isso me escalei pra ficar no gol, pensei no que seria dividir a bola com essa garotada de oito ou nove anos usando essa indumentária nos pés, Alguns poderiam acabar machucados e eu não ficaria nada bem com isso, gosto muito da criançada (Nada tipo ‘Michael Jackson’ nisso, hein!).
No gol adversário outro adulto, e cinco pirralhos pra cada lado, os times estavam equilibrados, quero dizer, estariam se o Pedro não fosse tão parecido com o tio jogando bola nessa idade. Da área fiquei assistindo meu sobrinho no time adversário correr de um lado pro outro sem entender muito do que acontecia e o que ele tinha que fazer. Eu ria tanto. Acabei lembrando do meu primeiro gol, foi ali, naquela mesma quadra. Eu saí pulando, berrando e comemorando meu grandioso feito quando reparei que meu time me contemplava horrorizado. Nesse dia levei muita porrada, havia feito gol-contra. Agora assistia o Pedrinho perdido no jogo e dizia pra mim mesmo: “Foda-se o futebol! Meu sobrinho será um grande artista.”.
Então o atacante do time adversário recebeu a bola um pouco à frente do meio-de-campo, chapelou lindamente o meu zagueiro e, pra vergonha do vosso humilde narrador, enfiou a bola bem pelo meio das minhas pernas tortas que foi direto pra dentro do gol.
Quando esse frangueiro aqui foi se despedir da garotada eles quase choraram: “Pô Pedro, fala pro seu tio ficar, ele é legal!”. Depois do Jogo assistimos Boomerang, passou Toro & Pancho.
Estou matando a saudade da melhor fase da minha vida, o que mais eu posso querer? Abrir o Juke? Sorry!
Escrito por Flávio Vajman às 22h42
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Nosso amigo Valdir Aguiar, que logo mais estará detonando umas cervejas comigo, me enviou esse release do Edvaldão.
Edvaldo Santana canta em São Paulo
O cantor e compositor paulistano Edvaldo Santana, se apresenta em São Paulo em show semi-acústico.
Edvaldo cantará repertório baseado no seu mais recente álbum, “Amor de Periferia”, onde teve como convidados, (Lenine, Zélia Duncan, Quinteto em Branco e Preto, Nuno Mindelis). Cantará também canções de seus CDs anteriores (Lobo Solitário, Tá Assustado? e Edvaldo Santana), além de algumas canções inéditas.
Edvaldo Santana parceiro entre outros de (Arnaldo Antunes, Tom Zé, Itamar Assunpção, Haroldo de Campos), segue sua trilha em busca do aprimoramento estético de sua obra, com sua voz rouca e seu violão embebido de referências da música popular brasileira, influenciado pelas manifestações culturais nordestinas e negras espalhadas pelo mundo (samba, blues, choro, coco, reggae, jazz, salsa), traz em sua poesia urbana-agreste-periférica retratos da sua vivência na periferia de São Miguel Paulista zona leste de São Paulo.
Nesse show Edvaldo estará acompanhado pelo percussionista Hispano Brasileiro Ricardo Garcia.
Maiores detalhes sobre o show, logo mais abaixo, depois do referendo sobre a gaita.
Escrito por Flávio Vajman às 22h26
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REFERENDO SOBRE A GAITA

A madrugada passada foi no mínimo bizarra. Não sei se me lembro bem de tudo o que aconteceu, eu tava muito bêbado e ocupado em derrubar as caixas de garrafas do Mercearia, mas um episódio foi do caralho, inesquecível.
Eu não sei por qual motivo eu estava descendo a lenha nos hippies (aliás, não é necessário motivo quando se detesta tanto esses parasitas), aí o Marião falou pra mim: “Deixa os caras pra lá, Flavinho. Pra que ficar falando mal deles”. Eu não ia debater isso e perguntei: “Pô! Você gosta dos caras?” A resposta foi muito boa: “Nada contra. É só não dar um violão na mão deles”. Eu contra-argumentei: “Violão, não. Gaita!”. Aí ele mandou uma genial: “Gaita é foda. Temos que fazer um referendo sobre a proibição da gaita”. Com essa eu quase termino de quebrar o resto do bar de tanto rolar de rir”.
Isso foi mais engraçado pra mim, eu acho. Sofro há mais de 10 anos com umas buzinadas provenientes desses, em geral, hippies. Porra! Gaita é um instrumento técnico demais, exige estudo, conhecimento e disciplina. Não é sair por aí enchendo o saco dos outros. Gaita é feita de lata, se não souber extrair o timbre dela o som será, também, de lata.
Enfim, aprovei a idéia do referendo! Vamos começar pelo Gaita-l, aquele monte de malas que ficam debatendo a gaita na internet pra nunca chegar a lugar algum. São uns Mauricinhos que tem trabalhinhos medíocres durante o dia e quando chegam em casa querem mostrar (tentar fazer inveja) aos Mauricinhos do outro lado da salinha de bate-papo o quanto não sabem nada. Vamos extingui-los.
Depois do Gaita-l, as nossas próximas vítima serão os gaitistas de plantão, aquele que ficam implorando pra dar uma canja na beira do palco. Odiosos. Na seqüência virão os paga-paus de Alanis Morissette (se o original já é tão ruim...), os mochileiros do sul de Minas, as cópias mal-feitas de Bob Dylan, os invasores de botecos e por aí a fora.
Maldade minha? Nada disso! De 15 anos pra cá pouca coisa mudou nisso. As pessoas têm que entender que tão queimando o filme do instrumento. Tanto esses bostas do Gaita-l que pensam saber algo, quanto os que mesmo sabendo que não sabem e ainda insistem em tocar em público estão sobrando. Não tem choro, só vai tocar agora se tiver licença, certo?
continua:
Escrito por Flávio Vajman às 04h30
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continuando:
Não sou tão maldoso! Vamos licenciar os gaitistas. Eu estava há algum tempo bolando com a Marisa Lobo de dar umas aulas no Juke pra uma galera. A Marisa já toca, toca bem aliás, já tem licença. Outros também já estão iniciados no instrumento, mas uma grande maioria vai começar agora, então, quem estiver com esse pique, mesmo que não saiba nada do instrumento, pode participar também.
Na verdade não será bem aula que vai rolar, vamos montar um grupo de estudo pra valer, nada do tipo dessa bosta de Gaita-l. A idéia é quem estiver mais avançado dar uma força pra quem tá começando. O grupo será democrático, as diretrizes de cada encontro serão apontadas por todos que fizerem parte. A idéia é a valorização da gaita como instrumento (não um brinquedo ou uma pagação de Mauricinho) e pra ter um bom material de estudo.
Começa a rolar na 5ª feira, 27 de outubro, a partir das 21 horas e não se paga nada pra participar. Depois, lá pelas 23 horas o grande guitarrista Fabio Brum vai comandar uma jam session. Quem quiser participar pode colar aqui direto nas quintas-feiras. Ah! Legal seria se todos estivessem com o mesmo tom, ficou decidido o dó (C) como padrão, tanto pro modelo diatônico 20 vozes quanto pro cromático.
Qualquer outra dúvida pode me ligar no 8498 0872 ou tirá-la pelo infojukejoint@gmail.com
Isso vai ser muito legal. Não só pra desmistificar a gaita, mas porque quem participar talvez comece a entender realmente o que é o blues, afinal, nem mesmo a grande maioria dos que se dizem bluesmen em terras tupiniquim sabem ainda. Isso é muito triste quando lembramos dos caras que viveram & morreram na lama pra fazer o blues ser o que ele é.
Escrito por Flávio Vajman às 04h28
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Direto da periferia para vocês
EDVALDO SANTANA

Acho que o show desta próxima sexta-feira dispensa comentários, ao menos de minha parte, eu não sei se saberia definir o trabalho do Edvaldo Santana sem cometer algum sacrilégio. É MPB, blues ou o quê? Sei lá! Só sei que é... www.edvaldosantana.com.br
O show é nesta próxima 6ª feira, dia 21 de outubro. O Juke abre às 22:30 horas e o show deve começar uma hora depois disso. Pra essa não tem lista de desconto. O ingresso é R$10,00 e dá direito a uma cuba-libre, valeu?
Se alguém tiver a competência pra falar sobre o Edvaldo fique a vontade para comentar aqui nesse blog. Por enquanto eu deixo ‘Desse Fruto’ com vocês, de autoria dele e seus parceiros.
Escrito por Flávio Vajman às 00h56
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Desse Fruto
(Edvaldo Santana - Akira Yamazaki – Osnofa)
Tem gente por aí vivendo que nem bicho
Fuçando comida na lata do lixo
Tem gente por aí vivendo que nem bicho
Fuçando comida na lata do lixo
Irmã gêmea da loucura
Dos gritos na noite escura
É gente dormindo debaixo do viaduto
E comendo a parte mais podre do fruto
É gente que nem parece que é gente
Mas que a gente sabe que é gente
É gente que nem parece que é gente
Mas que a gente sabe que é gente
Também tem gente por aí vivendo que nem gente
Guardando seu ouro a unha e dente
Tem gente por aí vivendo que nem gente
Guardando seu ouro a unha e dente
Trancando as portas sem saber que na rua
Sangra exposta a ferida sua
É gente engordando por cima do fruto
E atirando a parte mais podre no lixo no lixo
É gente que até parece que é gente
Mas que a gente sabe que é que é bicho
É gente que até parece que é gente
Mas que a gente sabe que é bicho
Escrito por Flávio Vajman às 00h49
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