O Juke Joint, orrrrrrgulhosamente,
apresenta
TEMPO INSTÁVEL

A banda do Dramaturgo Mário Bortolotto.
Nesta sexta-feira, dia 14 de outubro, a partir da 22:30 horas
Rua Frei Caneca, 304
Consolação
( 11) 3120 1229
Ingresso: R$ 10,00 (mas tem a famosa listinha de 50% de desconto)
Envie seu nome para infojukejoint@gmail.com ou ligue.
NOSSA VIDA NÃO VALE UM CHEVROLET
(Mário Bortolotto)
Há muito tempo você anda comigo
Cê sabe, eu me ferro, eu xingo, eu brigo
eu te ligo no meio da noite
pra dizer que o mal, o mal mora em mim
o mal pula comigo na piscina e não se afoga
o mal joga xadrez em tardes quentes e não se afoba
eu não pedi pra minha vida ser como ela é
a ira de Deus, um disco de jazz
Nossa vida não vale o amor de uma mulher
Nossa vida não vale um Chevrolet
Escrito por Flávio Vajman às 16h26
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Por que a gente broxa? Parte l
Apesar de carregar com jus o apelido de garoto enxaqueca nas costas, aqueles que me conhecem podem afirmar que vivo num bom-humor quase constante. Posso estar afundando na lama e ainda acho brecha pra mais uma piada. No entanto, nestes últimos dias tenho estado muito mau-humorado, uma amargura tem me tomado logo que desperto para um novo dia e insistentemente me acompanha até a hora de dormir, não bastasse, rompe meu sono adentro pra fazer piadinha de mau-gosto na minha cabeça transformando tudo em um pesadelo que talvez apenas Freud & seus discípulos possam explicar.
Cinco dias após o fato e essa agonia não me larga. Eu quero me livrar desse peso. Como isso foi acontecer comigo? Eu preciso entender, dar a volta por cima, achar o motivo... Deus, por que a gente broxa?
Na 6ª feira, quando ela chegou, eu já tava chapado de breja. Aí, olhei pro Tubarão com aquela cara que ele já sabia dizer: “Vamos embebedá-la!” Então, ela e eu ficamos tomando vinho frente à obra-prima de Sam Shepard, Paris-Texas. O clima todo já excedia o desejo e eu nem mesmo vi a banda tocar, o público indo embora, a partida da jukete Yara... nossa! Eu não vi praticamente nada além da garota. A última coisa que me lembro ter visto, e isso porque ela me cutucou, foi o Orlando na minha frente dizendo: “Na 2ª feira a gente fecha as comandas, valeu!”. E saiu voado, provavelmente achando que o negócio já ia começar ali mesmo, naquela mesma hora.
Numa rápida confabulada entre nós ficou decidido que iríamos pro seu apartamento, em um prédio vizinho na Frei Caneca.
-O elevador é filmado?
-Não.
-Então vem!
Como se do elevador já estivéssemos no sofá, ambos completamente nus e onde começou a triste história que agora, meus irmãos, narrarei com o rigor dos detalhes para vocês.
Eu não podia acreditar! Há tempos paquerávamos um ao outro. Ela é uma garota linda, sua pele tão branquinha estava lá, totalmente coladinha na minha e eu podia sentir sua suavidade. Seus cabelos muito negros se ondulavam nos meus dedos. É, estávamos lá! Eu e aquela obra de um pintor renascentista quando...
Entendam que ao narrar essa minha mal dada usarei o termo ‘pinto’ para me referir ao traidor em questão. A expressão ‘caralho’ é algo pesado demais e, se tratando de alguém tão pueril quanto essa garota, seria sujeira da minha parte. ‘Pau’ também não cabe, o meu não tem tamanho digno pra levar esse nome e ficaria científico demais usar ‘pênis’. Coisas pop-bregas do tipo ‘Bráulio’ e outros pseudônimos estão fora de cogitação. Assim, o que carrego no meio das pernas se resume a nada mais, nada menos que um reles pinto.
Onde eu estava mesmo? Ah, sim!
Estávamos lá quando senti que meu pinto não levantava e o tempo já excedia o padrão do que se pode chamar de pré-liminares. Meu rosto começou a queimar, minhas mãos ficaram úmidas e frias e eu não conseguia olhar pro rosto dela. A vergonha havia tomado conta de mim. “Calma, Flavinho, relaxa!”. Encucar nestas horas só piora a situação. Tentei relaxar.
Escrito por Flávio Vajman às 15h27
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Por que agente broxa? Parte ll
(porque broxar uma só vez é muita sorte pro sujeito)
Comecei a beijá-la, esperando o momento ou, melhor dizendo, a boa vontade do meu pinto de por mãos-a-obra. Comecei beijando o pescoço, desci um pouco mais e já sugava os biquinhos doces de seus peitos. Despenquei no furinho do umbigo e... Estava no paraíso, cara-a-cara com Deus. Era rosinha, bem ao centro de um recorte perfeito de seus negros pelos pubianos. Me toquei novamente e senti que nada ainda. Era hora de trabalhar com as ferramentas que dispunha naquele momento. Anos de estudo técnico na gaita traz muitos benefícios.
“Vai, Flavinho! Isso não é uma mulher. Ela é uma Marine Band e você é o Sonny Boy! Feeling, garoto. Feeling!”.
Caí de boca num tongue blocking, mas nada tão rude, bem slow nos primeiros momentos. Ela foi reagindo. Comecei então a sentir a banda pedindo pra subir a dinâmica. Foi esquentando a coisa até que o baterista mandou o sinal e... meus irmãos, era o meu solo! Um chorus todinho pra eu solar. Solo que executei fenomenalmente. Ali aquela garota conheceu um virtuose. Ataquei com um vibrato gutural muito nervoso, depois subi a escala com overblows e overdrawns extrapolando com blue notes maravilhosamente bem colocados... Que timbre tem essa mulher! Quando já estava chegando no turn around eu arrisquei mais uma pegadinha no meu pinto e senti apenas mais uma frustração com ele!
Minha língua estava tão cansada que parecia ter feito três horas de show sem intervalo. Fiquei ali assistindo aquela bela vulva. Bolinava ela com os meus dedos e sabia que raramente teria outra tão atraente como aquela que estava na minha frente.
Condenei o meu pinto: “Eu to aqui por sua causa também, viu seu merda! Ou você acha que se eu fosse capado ela deixaria a coisa chegar até esse ponto? Levanta, filho da puta! Levaaaanta!” Comecei a imaginar um insano diálogo com ele: “Pô meu! Você andou se sindicalizando? Está em greve por melhores condições? Deixa disso disso, vai! Eu te trato bem, não trato? Lavo direitinho, balanço com cuidado, uso camisinha... O quê mais você quer? Olha, eu sei que já te meti em muita encrenca mas tente entender, mesmo você sendo só um pinto, que errar é humano. Ta vendo isso? Seu lugar é aí dentro! Reage, por favor, reage!” Quando de repente...
Ladies & Gentleman, com vocês, Flávio Vajman!!! Meu Deus! Meu pinto começou a crescer. “Vai lindinho do papai, eu sabia que você não ia me decepcionar. Deixa encher seu corpo cavernoso”. Lentamente ele foi subindo, subindo, subindo, tava quase no ponto, então estendi a mão pra pegar a camisinha no bolso da calça ao lado e foi quando... “Nããããão! Não faz isso comigo”. Ele muchou totalmente, ficou em pior estado do que antes. Um apêndice morto bem no meio das minhas pernas.
Eu olhei pra periquitinha dela, olhei pro meu pinto caidão, tava querendo tanto invadir aquele corpo. Não tive dúvidas: “Meu Nariz! Sim, meu nariz é servidão. Com certeza, uma fonte de prazer pra qualquer mulher. Um troço desse tamanho bem no meio da cara... Então comecei a imaginar o indivíduo aqui fazendo movimentos bizarros com o pescoço afim de satisfazer sua parceira. “ Urf, urf, urf... Nô fô confseguino respfira!”. Não dá, esquece! Há lugares em que não devemos meter o nariz, já dizia a minha mãe.
Desisti, e com a cara que jamais quero ver estampada em mim, disse: “Me desculpa, ta? Não vai rolar! Vem cá, fica abraçadinha comigo?”.
Ficamos jogados no sofá. Eu acariciava aquela pele branca que os primeiros raios de sol da manhã de sábado radiavam. Minha tela renascentista começava a desbotar.
Escrito por Flávio Vajman às 15h25
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Por que a gente broxa? Parte lll
(Caralho! Três é demais!)
“Eu tava nervoso. É, foi isso! Não, eu tava relaxado, com todo aquele vinho... Ah, então foi o vinho. Mentira, o álcool não me broxa. Já sei, ela é novinha demais, afinal, se minha iniciação sexual fosse pouco mais precoce e descuidada eu poderia até ser o pai dela. Porra nenhuma! Foi essa vida de junkie que eu levava. Sim, deve haver uma menção ao garotão aqui na parede da sala de jantar de um destes donos de cartéis da Colômbia, algo do tipo ‘Top Ten dos nossos consumidores. Não! É hora de pendurar a chuteira mesmo. Com 36 anos?”.
Me senti desmoralizado diante da garota, procurava uma vítima pra inquirir, qualquer coisa que pudesse condenar e afastar esse fantasma que habitava a minha consciência. Eu estava humilhado.
“By, baby, by!” Coloquei minha roupa, passei por debaixo da porta e escorri pelo poço do elevador até o térreo.
Na portaria do prédio olhei pra rua, o sol das sete já derretia a Frei Caneca, passou um casal de gays dando gargalhadas. “Estão rindo de mim, eu sei que estão! Não é coisa da minha cabeça, eles souberam e estão se divertindo com a desgraça alheia”. Mesmo que eu não conte pra ninguém e ela faça o mesmo, um fato como esse transcende as paredes do apartamento e inevitavelmente todos ficam sabendo. Passei pela padaria e pedi um café-com-leite e um pão-de-queijo que o balconista me serviu com cara de dó. “Viu? Todos sabem!” Eu queria sumir. “Embrulha pra viagem, pode ser?”.
Deitei a cabeça no travesseiro e comecei a dizer em silêncio: “Dorme, Flavinho, dorme. Logo mais, quando acordar, vai ser um novo dia. Você vai ver!”. E apaguei.
Foi um breve cochilo. Acordei com a boca muito seca, típica da ressaca e o pinto estourando a cueca de tão duro que tava. Peguei nele. Pensei em socar uma, mas aí, achei que seria muito humilhante pra mim naquela situação. Tomei um copo d’água, dei umas palmadinhas de bons-amigos nele e disse: “Vamos dormir! Apenas isso, vamos dormir!”.
Escrito por Flávio Vajman às 15h22
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Te devo essa, Amalfi!

Marcello Amalfi regendo a big band.
Se existem duas pessoas que não se entendem de forma alguma seus nomes são Marcello Amalfi e Flávio Vajman.
Não há nenhuma treta entre a gente, é apenas divergência de opiniões. Aliás, o Amalfi é dos mais ‘boa gente’ que se pode trombar por aí. Um tipo humano pra caralho e dos mais competentes músicos-regentes-arranjadores, enquanto Vosso Humilde Narrador perde o rumo de casa toda vez que sai dos 12 compassos em que fica choramingando seus blue notes de timbre encardido da mais pura lama bluesy.
O Amalfi é o arranjador e guitarrista da banda Tempo Instável, ficou incumbido de fechar comigo uma data pra eles dentro do projeto Contaminação aqui no Juke Joint e eu comentei com os meus botões: “Não vai dar certo. Todos eles são muito ocupados e essas divergências...”
Bobagem! Vai rolar!
O Tempo Instável é a banda do dramaturgo Mário Bortolotto, o cara que me salvou dos best sellers e me ensinou que o blues é efervescente e transborda os tubos-de-ensaio de qualquer fórmula musical. Sua banda é a cara do projeto: ‘O blues contaminado, o blues contaminando’. Quer saber mais? O blog do Marião tá lincado aqui ao lado.
É isso aí, Amalfi. Sei que fez das tripas coração pra fechar essa data. Tô devendo essa pra você!

Mário Bortolotto com sua banda Tempo Instável
O show da banda Tempo Instável dentro do projeto Contaminação é nesta próxima 6ª feira, dia 14 de outubro, no Juke Joint. O Amalfi não bebe, mas tem uma garrafa de Almadein reservada pro Marião (e duas só pro Vosso Humilde Narrador aqui).
Dentro do projeto Contaminação tem também o grande Edvaldo Santana na 6ª feira do dia 21 de outubro.

Tá assustado?
Escrito por Flávio Vajman às 15h35
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