back to the underground
 


 

Roupa suja também se lava no blog.

 

Gaitista saúda Sonny boy Williamson sobre sua lápide

em Tutweiler no Mississippi onde o marginal descansa.

 

 

 Eu mudei novamente o título do blog. Não que essa coisa de Garoto Enxaqueca não me divirta, mas hoje eu percebi coisas nada engraçadas. A futilidade não escolhe gêneros musicais, ela atua além daquilo que eu mais abomino e de que não participo, onde eu tento apenas e simplesmente não ser notado, mas a cada dia eu me convenço mais de que underground é só uma forma de marketing e que cuidar da própria vida está inatingível para quase todos que trombamos por aí.

 

 Estes dias atrás eu recebi a visita no Juke de uma antiga aluna e a primeira e óbvia pergunta foi: “Você está bem?” Respondi: “Sim!” Mas não foi o que ela ouviu por aí, aliás, não é o que alguns dos meus colegas de profissão têm dito por aí, na verdade ela achava que eu não estava 'legal'. Segundo, claro, suas fontes.

 

 Realmente! Eu acho que é bom dar uma descidinha no inferno de vez em quando. Sabe como é, né? Só pra ver como andam as coisas. Afinal, o blueseiro aqui é antiquado, acredita que o blues ainda seja assim. Mas...

 

 Porra! Porque ninguém me advertiu disso antes? Eu estou tão fora de moda assim?

 

 “Robert Johnson, Sonny Boy Willianson, vocês me enganaram. Não tem que se meter em tanta encrenca e pra que beber desse jeito? Essa vida de extremos não pertence mais ao blues. Feeling, o que é isso Charley Patton? Hey, Blind Lemon, por aí não, agora quem manda no blues são esses moleques punheteiros, eles comandam tudo pela internet, pode acreditar. Sim sinhô, Sinhô Willie Dixon, toca aquela das boa... cumé-qui-é? No money, no music? Você está com uma aparência horrível Johnny Winter, já se olhou no espelho? Mr. Muddy Waters, tô afim de tricotar, topas?”

 

 “Ufa!, que solidão!”

 

 “Vossa majestade B.B. King, por favor, explica pra estes merdas que nem mesmo o rei do blues carece de qualquer coroa pra ser realeza, mas tem que comer o pão-que-o-diabo-amassou se quiser ter história pra cantar.”

 

 Eu não estou ‘legal'?

 

 Continua: 



 Escrito por Flávio Vajman às 11h00
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 Nestes últimos 5 anos absorvi coisas que realmente não são pra vocês, meus ‘colegas’ do blues. Por que eu ouvi rock alternativo, usei muita droga, apanhei de polícia e de skin heads, li livros proibidos, perdi minha sanidade mental (se é que um dia eu tive isso) e tantas outras coisas que vocês nem acreditariam, mas acreditem nisso, não seria idiota de ter me exposto tanto se não tivesse tirando tamanho proveito da vida que levava, não viveria tanto só pra não terminar ‘legal’.

 

 Toquei o puteiro na vida, curti muito tudo o que eu fiz. Com 36 anos já fui onde a maioria das pessoas não chegarão até o fim de suas vidas e ainda não estou ‘legal'? Apenas fui em frente pelo caminho que eu mesmo escolhi e ainda assim não estou legal? As conseqüências disso tudo e se valeu a pena ou não só eu posso dizer, assim como só eu posso dizer se eu estou ou não ‘legal’.

 

 No entanto, devo admitir, vocês estão ótimos. Não mudaram nada! Até o repertório é o mesmo. “Meu Deus, o que vocês fizeram nestes últimos 5 anos para estarem tão bem?” Ah, já sei! Purismo. Vocês foram salvos pelo purismo. Se penduraram nos covers de quem tomou porrada na vida, nos autores das boas composições, aqueles que geralmente nunca estavam ‘legais’ mas que por isso sabiam fazer o blues. E enquanto vocês tocarem as músicas ‘destes caras’ pensarão estar continuando o blues, certo? Pra mim isso não bastou! Sinto muito. Por mais que doesse eu queria viver como os meus mestres viveram e, honestamente, acho que cheguei bem perto. Mesmo que esteja enganado, essa vida desregrada contribuiu muito pro blues que eu quero tocar e isso é o suficiente pra me fazer sentir ‘legal’.

 

 Não faço questão de nenhuma proximidade com vocês ‘Mauricinhos do Blues’, nem mesmo da compreensão de vocês para com este péssimo exemplo de comportamento para a categoria e acredito, também, que o Juke Joint não seja a casa certa para vocês tocarem. Gostaria apenas que entendessem que vivemos em mundos diferentes e que não devemos fazer comentários uns sobre os outros. Penso ser o blueseiro impuro, mas acho vocês uns paga-paus sem personalidade alguma, nada mais que isso.

 

 Então, agora que as opiniões de ambos os lados foram expostas calemos nossas bocas, ok?

 

 

Importante:

 

 Ainda me resta uma porção de brothers no blues, verdadeiros colegas comprando os barulhos do Juke Joint e de outras histórias. Esse texto tem destino certo. Aos meus amigos eu digo, realmente, algumas vezes fico mesmo me sentindo nada 'legal', mas isso também não é um problema tão grande como parece.

 

 Abraços



 Escrito por Flávio Vajman às 10h59
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 Carolina, Carolina!

 Você tem a perna fina, Carolina!

 Este foi o refrão que eu escutei ontem no ensaio do Quinta Blues.

 A banda é composta em sua maior parte por profissionais liberais de áreas nada a ver com a música. Mas, se isso é ser amador, daqui pra frente são amadores que eu quero tocando no Juke. Eu me diverti bastante e, honestamente, achei o som deles até mais legal do que o som de muitos dos ditos ‘profissionais’.

 

 Falando em profissionais, isso me faz recordar da época do Sanja, quando a galera do jazz fusion reclamava da programação mais pop do bar: “Pô, meu! Vocês têm que colocar a gente pra tocar aqui, os profissionais”. Eu me lembro dos caras, eram ‘profissa’ mesmo. Tocavam com as duplas sertanejas pra ganhar uma grana e depois vinham fazer o fusion aqui, pra gente pagar pela diversão deles. Na platéia só dava a mina do cara e, mesmo assim, ela acabava dormindo debruçada na mesa. Também! Qualquer acorde dominante e o ‘profissa’ já metia escala diminuta semitom acima, entre outras, era quase dodecafonia.

 

 No Quinta tem também os profissionais, lógico, não dos chatos! O Marcio Sciallis toca contrabaixo, bateria, guitarra, voz e é também meu colega de instrumento, um ótimo gaitista. Já a figura mais divertida da banda é um advogado-guitarrista, Walter Toniosso. Ainda há três backings, teclado, flauta e sax. São oito bagunçando o coreto no palco.

 

 O show está dividido em dois sets e no intervalo o gaitista Will manda ver acompanhado do Sciallis no violão alguns blues acústicos.

 

 

 Entenderam?

 

 Sábado, dia 01 de outubro, a partir das 22:30 horas no Juke Joint.

 

 Rua Frei Caneca, 304

 Consolação

 (11) 3120 1229

 

Ingresso R$ 10,00 mas tem a famosa listinha com 50% de desconto. É só ligar ou mandar nome para infojukejoint@gmail.com



 Escrito por Flávio Vajman às 17h22
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O que é isso? O blog de um otorrinolaringologista?

 

 

 

 Não! Conforme prometido, eis as primeiras dicas para quem tá afins de tocar a harmônica de boca ou, popularmente falando, a gaita.

 

 Antes de tudo, desculpem-me pela demora, eu estava um tanto embolorado. Mas, já que hoje saiu um solzinho e como eu tardo mas não falho... mãos à obra.

 

 Não se assuste. Mesmo que você tenha sido um péssimo aluno de anatomia, essa ilustração é só uma mera referência. Contudo, a compreensão da ação do organismo sobre o sopro é fundamental.

 

 O gaitista deve encarar o instrumento como extensão de seu organismo, porque a mais bela idéia melódica pode soar aos ouvidos como uma buzinada. Afinal, gaita é feita de lata e sua sonoridade, por si própria, é de lata. Cabe ao gaitista enriquecer o seu timbre. Como?

 

 Sopre ou aspire ‘suavemente’ qualquer nota dentre os orifícios 4, 5, 6 e 7. Lembre-se que estamos usando a gaita diatônica 20 vozes, a tal gaita blues. Tenha o cuidado de não pegar mais que 1 nota. O formato do lábio para a embocadura é como se estivéssemos pronunciando a vogal ‘ô’. Não esbarre no orifício ao lado, não no momento, posteriormente a gente vai usar o que chamamos de double notes.

 

 Quando você já não estiver mais errando a embocadura, experimente articular a boca como se estivesse falando, claro, sem acionar as cordas vocais, ou seja, você não fala enquanto toca, porém nota-se que qualquer movimento, seja da língua, dos lábios ou do maxilar, causa alterações no timbre.

 

 É isso o que quero dizer sobre a gaita ser parte do organismo. Várias técnicas e efeitos desenvolvem-se na medida em que aprimoramos esse elo com a gaita. Mas, paciência aí! Leva um tempo.

 

 Saca essa seqüência, é a coisa mais odiosa e necessária pra entender música, a escala de dó maior: Dó (4↑) - Ré (4↓) - Mi (5↑) - Fá (5↓) - Sol (6↑) - Lá (6↓) - Si (7↓) - Dó (7↑)

 

 A seta pra cima significa soprar, a seta pra baixo, aspirar e, lógico, o nº é o orifício da gaita. Por exemplo, a nota Lá está no 6 aspirado.

 

 Esta escala está no tom da gaita, isso quer dizer que sendo sua gaita em Dó (C), a escala é de Dó maior. Se por acaso sua gaita estiver em Sol (G), a escala será de Sol maior. Ambas têm a mesma estrutura, o que muda apenas é o tom, portanto, é teoria e não vamos esquentar a cabeça com isso agora. Vamos apenas tocar.

 

 Esta escala não tem nada de blues. É só o princípio, só pra desenvolver um pouco de técnica inicial. Eu sugiro que não apenas faça esta escala em ascendente e descendente, mas que brinque despretensiosamente por ela toda. Capaz até de encontrar algumas musiquinhas pops.

 

 Sempre sopre e aspire suavemente. Até que se obtenha técnica, isso vai poupar o instrumento de um estrago prematuro. E, mais importante, enquanto toca procure ter consciência de seu organismo, o quanto a postura dele pode interferir no timbre, ou sonoridade. Atenção principalmente ao maxilar, aos lábios, à língua e à epiglote. Ok?

 

 

 

 Play the harp!



 Escrito por Flávio Vajman às 11h17
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