ESTOU EM LUTO

Eu jurei publicar hoje as primeiras dicas de gaita, mas pra falar a verdade não estou nem um pouco afim disso agora. Não tô legal! Acho que eu também sonho o tal sonho americano e isso às vezes me faz sentir um pouco hipócrita.
Com seis anos de idade eu adorava Elvis Presley. Era tão fã do cara que aos meus nove anos, quando ele morreu, tive uma crise compulsiva de choro e fui questionar com a minha mãe o porquê da morte. Imaginei que jamais ouviria o cara novamente.
Depois do Elvis (depois de entendido que eu continuaria ouvindo suas músicas mesmo ele estando morto), veio Peter Frampton, Mickey Mouse, King Kong, os carrões da Ford, hambúrgueres, motocicletas Harley Davidson, Jack Kerouac, o bom & velho blues e muitas outras made in EUA. Da pré-adolescência em diante continuei sonhando o sonho americano.
Na verdade, o que faz parte do sonho americano ainda é uma incógnita pra mim porque os americanos não parecem se orgulhar nada daquilo que eles têm de mais legítimo e de causar inveja ao mundo e você, caro leitor deste humilde blog, não seja também um 'new hippie' pra mencionar algo sobre o imperialismo americano. Você sabe do que estou falando.
Os americanos, mais uma vez, insistiram em mostrar pro mundo o seu apego à segregação racial. Neste último dia 29, ou melhor, antes disso mesmo, quando já prevista a passagem do furacão Katrina, as autoridades de New Orleans na remoção da população para áreas mais seguras não tiveram nem mesmo o cuidado de mascarar da imprensa a prioridade para a minoria branca e endinheirada da cidade, deixando pra traz, no berço do jazz, os caras que mais próximo da realidade fizeram ser esse tal sonho.
Mas não tem problema não! Da mesma forma que eles retornam dos enterros, tocando alegres dixielands, darão a volta por cima. Não será esse 'mardi gras macabro' que vai interromper o melhor do sonho americano.
E quanto a vocês, parasitas de um povo maravilhoso, um dia irão descobrir o que vocês têm de melhor, aquilo de que realmente deveriam se orgulhar e desfrutar ao invés de ficarem aí metendo o bedelho onde não são chamados. Espero que essa água toda tenha levado os crocodilos pra vocês e quando abrirem as portas de suas casas sequinhas levem uma boa mordida em suas bundas.
Se hoje não dançamos diatônico, nossa comida é bem temperada e aprendemos a malandragem de nos soltar no mundo... eu sei quem é responsável. A dor também traz coisas boas, aquele povo faz a melhor música do mundo porque vive passando por isso.
A gaita fica pra depois...
Hoje eu só quero entupir meu ouvido de zydeco, beber bourbon e chorar muito!
Escrito por Flávio Vajman às 00h31
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Meu grande-velho-amigo volta para este palco.

O Marcelo Watanabe e sua guitarra são freqüentadores da antiga deste endereço, na época do Sanja Jazz Bar ele acompanhava outros músicos com muita freqüência. Desta vez mostra o seu trabalho solo, um catado de 4 discos já lançados (confira o cd Nave Louca, é bem legal).
Além de um guitarrista excepcional e pós-graduado em carisma com os 7 anos que tocou com o bluesman Paulo Mayer, Watanabe tá cantando blues pra caralho!
O show do Marcelo Watanabe é neste sábado, 10 de setembro, a partir das 22:30 horas. O ingresso custa R$ 7,00 e os dados da casa todo mundo sabe:
Rua Frei Caneca, 304 + Consolação + (11) 31201229 + estacionamento no nº 348 + blá-blá-blá, blá-blá, blá-blá-blá-blá.
Falando em blues... já descolaram a gaita? Eu publico amanhã as primeiras dicas, juro!
Escrito por Flávio Vajman às 17h28
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BLOGANDO AULAS DE HARMÔNICA

O retorno do Juke Joint ao bom & velho blues acabou por desenterrar inúmeras figuras do passado. A cada dia ressurgem colegas de jam sessions, bandas inteiras com suas formações originais ainda intactas, colegas de balcão, mulheres, brothers & não tão brothers e outros.
Tem gente que me cumprimenta e eu nem sei de onde conheço elas, outros eu pensava nunca mais ver e tem ainda aqueles que eu havia simplesmente esquecido por completo de suas existências. Mas o que tem pintado muito por aqui são os ex-alunos. “E aí Vajman, tá dando aula ainda?”.
Gosto muito de dar aula e sinto bastante saudade da época em que lecionava no Sesc Pompéia. Fiquei no Sesc de 1993 a 2000 e de lá saiu a maioria dos alunos que se tornaram posteriormente meus grandes amigos e contribuintes do Juke joint. O Eric Zompero e suas dicas de arquitetura, o sempre divertido Afonso Medina e o Robério Gonçalves quebrando o galho de designer são alguns exemplos.
Recentemente eu sofri uma crise de saudosismo e voltei a dar aula. Fui convidado pela Arte Livre, escola da família Sciotti. Eu peguei apenas duas alunas e isso já me tem consumido um tempo precioso, afinal, se não bastasse a escola ser em Sto Amaro, o Juke Joint ainda é a minha atividade principal.
Quando eu coloquei esse blog no ar, o Mário Bortolotto fez um comentário muito bacana dizendo que blog é pra escrever o que quiser, sem muita pretensão. Bom! Sendo assim blog algo despretensioso, minha falta de tempo e a galera querendo ter aula... resolvi publicar aqui umas aulas de gaita, beleza?
Quando o Helton Ribeiro lançou a revista Blues’n’Jazz ele me pediu que colaborasse com umas aulas de gaita, eu desenvolvi então um método para as 12 primeiras edições da revista. Vou publicar algo parecido com este método, apenas menos formal que o original. Agora, tem um problema. O método que eu fiz pra Blues’n’Jazz acompanhava uma fita k-7, vou pensar em algo que dispense isso.
Então, se você tá afins de tocar e não tem gaita, algumas dicas pra comprar uma:
Eu vou publicar no início técnicas e transcrições para gaita diatônica 20 vozes, a gaita blues. Alguns modelos são bem baratos. A Hering Free Blues custa em torno de R$ 30,00, mas é bem frágil. Um bom modelo da marca alemã Hohner é a Marine Band, mas custa uns R$ 70,00 ou mais. A estrutura dessas gaitas são similares, o que muda é a afinação. Dê preferência às afinadas em dó (C) ou ré (D), valeu?
Ainda nesta semana eu publico a 1ª aula,
Abraço
Escrito por Flávio Vajman às 18h26
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