Escrito por Flávio Vajman às 23h47
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Sou um egoísta assumido e, apesar de sofrer repressão quase que unânime quando declaro isso, nada derruba a minha teoria sobre o egoísmo e a sua contribuição para o mundo. O egoísmo declarado em sua forma mais escancarada é até um favor se comparado às atrocidades cometidas em nome do social.
Um exemplo recente, que ficará encardido na nossa memória, é de um metalúrgico que agarra com todos os seus nove dedos a nossa bandeira (digo... de vocês) e esfrega na cara dos trabalhadores: “Vocês estão sendo enganados!”. Vira líder da classe menos favorecida e, pura hipocrisia, não é bem essa classe que vota nele, afinal ele cativou moderninhos, hippies, yuppies, universitários (um alvo muito fácil) e uns tais barbudos transtorno politizados para, enfim, não ser exatamente o final e continuar liberal.
Outro modelo assombroso de humanismo é aquele praticado por Vera Loyola & Cia (acho que na Cia está a Xuxa Meneguel, o Rei Pelé, o instituto Ayrton Senna, Renato Aragão vulgo Didi, entre outros.) Qual o real motivo de propagandear a boa ação que se fez? Resposta: Má intenção!
E as ongs, então? Eu tenho horror à ongs. Pra quem quer pôr uma graninha no bolso praticando bondade organizações não governamentais são a ‘bola-da-vez’. Existe ong pra tudo que se supõe estar indo pro brejo: ursinhos-panda, direitos dos gays, deficientes... falando em deficientes, alguém já precisou da AACD? É triste, o bagulho não funciona.
E por aí, entre os partidos políticos, vai: UNICEF, Igreja Universal, TFP, Liga das Senhoras Católicas, e todo esse monte de instituição de merda que só faz engordar as contas bancárias de seus dirigentes e me dão certeza de que o mundo gira em torno da miséria humana. O ganha-pão das boas ações não pode parar.
Eu não participo desse mundinho benevolente de dar dó. Já faz muitos anos que eu não voto, não dou esmolas e não me envolvo em qualquer obra social. Deixei de praticar tudo aquilo que é típico de um cidadão caridoso e eu sei por que isso não pesa nada em meus ombros, apesar de algumas injustiças me comoverem muito.
Um dia desses conversando com o Helton Ribeiro, editor da revista Blues’n’Jazz, ele comentou sobre um cara chamado Daniel Sayon e a sua dificuldade em encontrar uma casa que cedesse o espaço pra arrecadar alimentos. Apesar das minhas constantes suspeitas sobre as boas ações eu paguei pra ver e liguei pro cara.
Pelo telefone a minha primeira impressão sobre ele foi a de que jamais sofreu com a falta de qualquer bem material, quanto mais um prato de comida por menos requintado que fosse. Também não era envolvido em nenhum partido político ou em qualquer uma dessas instituições pilantras.
O Daniel passou por aqui no sábado passado com a sua garota, é apenas um apaixonado pelo blues, um colega, também gaitista. Conversamos muito sobre blues, as bandas, o Banco de Alimentos e ele acabou até voluntariamente dando uma força no bar.
Não consigo entender o Daniel. Por quê um cara que ao menos aparenta não ter problemas tão significativos na vida se disponibiliza a atitudes tão verdadeiramente humanas sem absolutamente nada em troca enquanto poderia estar cuidando apenas dele mesmo? Pior que isso. Eu com toda essa minha teoria sobre o egoísmo, como fui comprar esse barulho junto com o cara? Querem saber? Há coisas que não queremos pra ninguém...
...passar fome é foda!!!